sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

'A aventura está lá fora!'

Tinha um ônibus e ele era bem grande, tinha rodas grandes e tinha muita gente, tanta que eu segurava minha bolsa bem perto do corpo, tinha sacolas e malas para todos os lados, e tinha os carregadores de malas e sacolas, tinha a sujeira do chão cinzento e tinha as vozes, eram muitas vozes que falavam muito, mas eu não prestava atenção. Tinha um vidro sujo e unas lanchonetes meio sujas também, tinha um ventinho fresco que, as vezes, ficava meio friozinho e trazia o cheiro do gás que os ônibus produziam na combustão de seus motores, tinha muita gente tanta gente, tinha gente pra todo lado, mas eu não prestava atenção. Tinha freio de ônibus e tinha gente gritando, o som de ar comprimido saindo por boraco pequeno quando as portas dos ônibus abriam, tinha criança correndo, tinha mãe correndo atrás de criança e tinha irmãos, mas eu não prestava atenção, porque tinha suas mãos que tocavam as minhas incessantemente como se fosse difícil ficar numa só posição, tinha sua calça jeans que caia um pouco, com frequência e ele arrumava apertando o cinto, tinha sua mala e seus pés ao lado de sua mala, tinha sua mochila rasgada e suas gargalhadas no ar, tinha sua voz. Tinha o calor de seu peito quando me abraçava e quase me esmagava, mas eu gostava, tinha seus braços que me rodeavam a cintura e que não saiam do lugar, tinha sua boca que contava a história de alguém que eu não me lembro quem, tinha seus pés ao lado de meus pés ao lado de sua mala. Tinha sua mochila rasgada que eu fiquei de costurar mas não deu tempo. Tinha o céu atrás, azul e rosa, e tinha o relógio, mas o tempo não dava, não parava em azul e rosa para que meus pés demorassem mais tempo perto de seus pés ao lado de sua mala. Tinha seu cheiro inconfundível e tinha sua respiração. Tinha seus olhos. Verdes . Tinha seus olhos verdes olhando meus olhos que cheios de água eram felizes e tristes, e tinham palavras bonitas e engraçadas de recomendações abstratas sobre o que nunca aconteceria. Tinha seus olhos verdes nos meus olhos chorosos de ansiedade e amor. Tinha o tempo que não parou e tinha o ônibus que abriu a porta com o barulho de ar comprimido saindo de buraco pequeno e ele tinha que entrar. Tinha uma janela grande de vidro, e declarações mudas de amor eterno. Tinha o frio nas minhas pernas e na minha barriga, e o medo remoto de não o ver mais. Mas tinha a certeza de que o x no meio do peito era mais que um gesto pela janela de vidro escuro. Tinha amor que ainda tem, só que agora também tem saudade!

Um comentário:

Unknown disse...

Ai que fofura!!!!

Esse Heldiiiiiinho, hahhahahahah.

Beijo da cabeça...