Mais uma vez recorro as queridas cartas do tarot para
iluminar meus pensamentos confusos e, para minha surpresa, eis que surge -- pela
milhonézima vez -- a dona Helena, no tarot mitológico figurado na cara da
Rainha de Copas. Não bastasse minha confusão mental, minha dor no rim direito e
o incomodo do rim esquerdo... dona Helena. A deusa viva e humana da beleza mais
cara, capaz de provocar guerras e loucuras nos homens que a amam
belicosamente... Sabem do que se trata? Quem
riu quando mencionei a dita cuja, sabe! Diz que a maior parte dos meus
problemas agora pode ser superada a partir de uma atitude persistente, prudente
e paciente. Curioso, estou, neste exato instante, acamada por uma infecção
maldita que volta para me atormentar.Não tenho muito mais o que fazer, senão ter paciência. Me encontro deitada em minha cama,
embaixo de meu quadro preferido de Vincente Van Gogh: Os giraçóis. É uma réplica,
obviamente. Na verdade é um quebra-cabeça que montamos mamãe e eu, e mandamos
emoldurar: lindo! Uma das melhores versões deste tema. Sabe que ele adorava
repetir temas, não sabe? Este é aquele que tem vários giraçóis, sem ser o outro
que tem só uns 3... acho que há umas 5 versões deste quadro. Será que Van Gogh
teve algum problema de rim? De cabeça eu sei que ele teve. Eu estou com
problema real no rim, e problema imaginário no coração. Por isso recorri ao oráculo,
e daí veio a Helena. A Helena tumultuou a vida de todo mundo que cruzou com
ela. Ai eu peço pro oráculo uma luz e ele me manda quem? A Helena...
Francamente! Odeio oráculos que trolam a gente. Havia muito tempo que eu não
escrevia. Esqueci como isso era bom. Tudo bem, voltando à Helena, ela era esposa de
Menelau, diz-se que era filha de Zeus com uma mortal. Que era amorosa e
paciente! Copas é o elemento água no tato Mitológico, e sabe... água tem tudo a
ver com rim! Ai, tem uma disputa entre as deusas, para saber quem é a mais
bela, porquê? Fizeram uma festinha e não convidaram a Dona Discórdia, irmã do
Seu Ares, o deus da Guerra. Obviamente, a Dona Discórdia não ficou contente, o
que ela fez? Armou pra galera. Arrumou uma maçã de ouro e mandou gravar: para a
mais bela. (As deusa pira na competição!) Jogou a maçã no meio da festinha. Dona
Hera, Dona Atena e Dona Afrodite ficaram loucas, loucas, loucas, supondo
obviamente que a maçã era destinada para si (adoro os deuses do Olímpio, tudo
gente baixa!). Zeus, que não é bobo nem nada, não topou decidir a parada. Mandou
Hermes avisar ao pobre mortal Páris que essa decisão era com ele. O moço, que
tinha fama de pegador, também não era besta, e disse que se sentia honrado mas que não era possível. Hermes comunicou que a coisa ia ficar feia para o lado dele, ia rolar uns raios de Apolo, e não sei mais o quê, e que era melhor
aceitar. Paris pensou: "de boa!", porque ele dividiria a maçã em três partes iguais,
e o problema tava resolvido, ele poderia voltar a sua vidinha de pastor de
cabrito e comedor de mina gata. Mas Hermes disse que não seria possível a
malandragem, ele ia ter que escolher apenas uma entre as três deusas. (Calma que
a gente já chega na Dona Helena!) As Deusas birrentas desceram pra prova. E
ofereceram regalos. Hera, mulher de Zeus, toda poderosa, ofereceu o Império do
Mundo, tipo tudo que rola na terra. Atena faria dele o guerreiro mais justo. Mas a Dona Afrodite, baixa que só ela, “se despe de
suas poucas vestes” e diz que daria a ele o amor da mulher mais linda do mundo dos
mortais. Chegamos a Helena! Paris é guri, não entende das coisas, e escolhe
quem? A deusa do Amor, da Sensualidade, Filha da Espuma do Mar, Ruiva Malandra
que ganha o concurso. Problema do Olímpio resolvido, vida na Terra tumultuada
historicamente. As duas enjeitadas engolem o orgulho ferido e fingem que tiram
de letra, mas armam pro galã. A mina era a Helena, como eu já disse, que
casualmente já era casada, com Menelau, como também já mencionei, e por a caso
era o rei de Esparta. E Páris o Principe de Tróia, mas ninguém sabia disso,
porque ele tinha sido criado como gente do povo, sabe? Pastor e tal -- tipo
Jesus. Dessa história toda é que, na real,
começa a guerra de Tróia. Os historiadores hão de discordar, mas quem liga?! Como
prometido ao Guri, Afrodite concede a ele o amor de Helena, que não é raptada
coisa nenhum, ela foge com Páris por livre e espontânea paixão. Ai, tem a guerra,
tem a história do cavalo de madeira (genial!) e todo mundo morre. Esparta ganha
e Menelau jura a esposa de morte também, vai lá buscar a rainha pra puxá-la pelos
cabelos até em casa, só que não. Ao vê-la ele se apaixona por ela de novo, que volta
para Esparta com todas as honras e pompas e circunstâncias! Amada, idolatrada,
salve, salve! Será que ela era tumulto?! Jocosamente o resumo do conselho para
o dia de hoje é: água mole em pedra dura, tanto bate... Isso mesmo! Agora não sei
se rio ou me enterro debaixo da coberta! Eis que essa é minha carta para
reflexão. A Rainha de Copas. Quem sou eu, pois, neste angu? Podia ser a Helena,
que no fim das contas, não tem problema nos rins, não morre e ainda volta Rainha amada e diva...
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