Queria escrever um texto bom. Mas não me ocorrem temas interessantes. Fico aqui pensando, talvez sobre esse sono da tarde que me mata, e não me deixa produzir. Talvez, sobre esse peso no corpo. Fico pensando que seria bom argumentar sobre os escritos de Frida, ou sobre a revolução. Mas me faltam argumentos, hoje. Pensei que seria bom escrever sobre elefantes, e sobre jatos de água. Talvez sobre a criatividade desperdiçada... mas isso eu já faço demais. Pensei num texto non sense sobre como cortar tempestades e acordar o Dragão. Pensei em escrever sobre a festa, ou sobre o dia das Bruxas, ou sobre o gelo do Ártico. Mas tudo me parece meio chato, acho que é por causa do sono. Queria escrever sobre nomes, ou sobre processo colaborativo. Os domingos me parecem mais interessantes, aqueles domingos monótonos, de passeios com cachorros grandes. Acho que vou falar de memória, sobre a memória do corpo, sobre o que os músculos se lembram. Meus músculos lembram de tudo, do corpo do personagem e da caminhada de ontem. Podia escrever sobre o lago. Ou sobre os jacarés. Talvez eu escreva dormindo, eu sinto que o sono vem vindo e resistir é vão. Talvez eu devesse protestar, escrever sobre as eleições, e fingir que sou inteligente, talvez eu sinta preguiça. Queria escrever sobre flores. Beijos que eu roubei e carros velozes dos outros. Queria escrever alquimias, e receitas de poções mágicas, receitas do amor a 2. Queria fazer piada, mas nunca fui boa nisso. Queria ser como Gregório, que escreve sobre qualquer coisa, mas hoje não em ocorre nada, e o tédio começa a crescer. Entre o tédio e o sono, há uma linha fininha que se parece à inspiração. Mas ela está tão magrinha, que ao pensar o que escrever para hoje, a preguiça toma conta, e eu fico na imaginação.
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