quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Rútilo

Ele sobe lentamente no horizonte sem pressa. Lambendo tudo! A natureza não tem pressa. E ela chega no tempo certo... ela destrói no tempo certo. Nós somos pressa demais. Imaturos demais. Iludidos demais. O mundo não é nosso. O mundo é que tem tudo. E tem nós. Eu e você e ele no horizonte, lambendo tudo. Tudo é dele! Eu olho pra lá e me ofusco e tenho medo de ver. “Olha lá, você vê? Lentamente. No horizonte. Sem pressa.” Pressa tenho eu e me perco. Somos imaturos. Respira, Alice. Repita! Está tudo bem por estar tudo bem! Não ser destruída é uma vantagem. Respira, Alice, repita! Deito na linha do tempo, esperando a luz me lamber também. Ele vem lá e já está alto um palmo e meio do horizonte. E eu esquento na luz do dono da porra toda. Respira. Alice, repita! Ele sempre vem lá, no horizonte. E com ele nós nunca estamos sós. 

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