quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dança contemporânea.

Vem. Ela dizia com aquela delicadeza de quem pisa em nuvens. Vem. O tilintim da chuva estalava nos telhados das casas e no asfalto que há tanto tempo estava seco. Se escutava ao longe suas risadas quase infantis. Ela corria. Dançava uma dança natural que surgia de seus braços e pernas com a mesma naturalidade com que aquelas gotas de vidro caiam do céu. E ela o chamava, sorrindo e cantarolando sua música imaginária como se aquilo lhe fosse familiar. Anda logo, deixa de ser medroso. Estava tão quente a tarde. E ele sentia tanto calor. Hesitava, porém. Ela estava de vestido azul escuro, de uma espécie de crepe, florido de algum tipo de flor vermelha que ele não sabia se eram rosas ou o que eram. Ela dançava ali, molhada, com seus cabelos cor-de-mel soltos, no meio da rua, no meio da grama, no meio da vida. Flutuava. Com seus braços brancos e lânguidos, suspensos no ar. Voava. Era como se o tempo parasse e só existisse movimento e chuva. Ela corria como uma menina que descobre as pernas pela primeira vez. Seus pés pisavam poças d'água, mas não era com maldade, até assim ela podia ser doce. E sorria... como sorria! Era quase possível ver as maldades do mundo se afastando de tamanho movimento de amor. Ela sorria, ah! ela gargalhava. E seus olhos já transbordavam como o céu que a cobria e quase era azul como seu vestido longo. Ela e a chuva conversavam como velhas amigas. E estalavam os pingos no chão e nas poças e no lago. Sua música era infinita. Já não tinha como conter-se. A esta altura, ele também já chorava. Abraçado àquele corpo quente e suave como uma criança que descobre a dança pela primeira vez. A chuva não parou. Dançaram os três!

Um comentário:

CozinhaDaBruxa disse...

Ahhh! Que coisa mais linda!!!

Quando chove eu sinto cheiro de mudança! rsrsrsr