Ela resolveu perguntá-lhe algumas questões, a Baco. Comprou uma garrafa de vinho bom e foi ao seu encontro. Sentam próximos um do outro, ligeiramente esparramados mas ela ainda mantinha alguma elegância em sua postura. Lhe perguntou coisas sobre porque fazer arte se é tudo tão perene e superficial. Perguntou também, se fazia sentido sofrer tanto por um trabalho que nada mais é que um ofício como todo os outros. Perguntou se era definitivo, ela realmente havia entendido sua mensagem e achado seu lugar no mundo onírico da arte. Indagou porque era tão difícil ser reconhecido esteticamente no mundo de hoje. Questionou a necessidade de instituições por trás dos trabalhos. Perguntou de Molière e Shakespeare. E sobre a arte contemporânea. Indagou sobre como concorrer para tantos editais, e como escrever um bom projeto. Perguntou porque todo ator fica um pouco louco. E se ele preferia Merlot a Malbec. Perguntou porque inventou o vinho cor de sangue e não de outra cor. Perguntou se ele realmente havia derramado vinho no Cristal para criar a Ametista, e porque Romeu não sequestrou Julieta logo no segundo encontro. Perguntou porque ela não conseguiu o papel de Ofélia. E porque o palco caíra. Perguntou se ele também assistiu Rainha[(s)] e se tinha rido muito quando Elizabeth disse que cochilou por 2 segundos. Ela perguntou tanto... Essas e tantas outras perguntas lançadas sem medo a um de seus deuses preferidos...
Baco, a suas perguntas, sorria... E a essa altura, a garrafa estava vazia e os dois, deitados, olhando as estrelas...
Baco, a suas perguntas, sorria... E a essa altura, a garrafa estava vazia e os dois, deitados, olhando as estrelas...
3 comentários:
tudo já fazia sentido... pelo menos naquele instante...
Genial!
(Ah lá Roberrrto)
... E ela adormeceu com Dionísio e, malgrado o seu torpor, sabia que sonho não fora, quando acordou.
Saudades!
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