segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Meu par de eiro.

Os encontros da vida são sempre em pares. Eu e você. Eu e você. Eu e você. Eu e ele. O que fomos, o que somos. Tudo surge, emerge e muda quando somos pares. E sempre somos pares. Ou mais. Eu sou mais que um par. Eu sou milhões de ímpares assimétricos. Embora a simetria me cause um imenso fascino e me seja difícil assumir minha vida assimétrica, meu rosto assimétrico, meu corpo assimétrico, meu movimento. Mas quando se encontra com o outro o um sempre vira um par. Mesmo que seja um par de ímpares. Mas é sempre um par. Um par de falas. Um par de almas, um par de gestos. Um par de lembranças e um par de ódios. Um de magoas e um de soluços. Um pardieiro de duplos. Um galinheiro de gente. Nos vemos como somos no outro e o outro é o que transforma aquilo que somos. Com ele, eu sou criativa. Ele é meu par de alma artista e lúdica e forte e cômica. Ele é meu duplo. Aquilo que há em mim e eu nem bem reconheço. E eu sou, agora no presente, porque ele foi e é agora também tudo exatamente que ele foi. Somos simetricamente assimétricos e isso me conforta o anseio de ser só nesse buraco negro. Quando ele me disse que era para se tratar desse vazio que há e que não se expressa eu senti um conforto enorme de saber que ali também há a sensação de vazio... morno... e contido dentro do peito que não sou eu, mas faz de mim tudo que sou porque está nele meu espelho mais claro, mais irônico, mais cruel, e mais verdadeiro. Todos tem pares. Mas nem todos tem coragem de se ver no par que tem. Há de se convir a conveniência de se ver como se se podesse ser apenas um. Não se pode. Não se pode. Porque sempre seremos tantos olhares quantos nos vem todos os dias, por onde andemos e olhares nos alcancem. Eu prefiro meus pares, que me são janelas e espelhos ao mesmo tempo. E por onde quero ver(me) sempre com a quantidade de ímpares que há em meu uns de ser branco, pesado, medroso e tácito.

Um comentário:

um dos três disse...

alice, por um pequeno problema de sistema, seu último comentário se perdeu lá no blog. fiquei triste, mas, de qualquer forma, queria agradecer o carinho com nossos textos. =)

maria rita