sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma ilha para eu governar...

Era um lugar doce. Ela tinha domínio de suas emoções e instintos sensoriais. A terra era macia, parecia feita de recheio mole. Era bom. Lá ela podia ver estrelas e não se preocupar com dinheiro. Ela era autêntica e despreocupada naquela ilha. Rodeada de um mar avermelhado ao entardecer que sempre lhe fazia sentir-se quentinha e afetuosa. Perto dali havia outras ilhas governadas por outras pessoas queridas... Mas aquela era a que ela podia reinar com suas poesias, danças místicas, tambores, textos inflamados, discursos políticos e convicções mutáveis. Dali ela podia voar. E para lá, ela voltava sempre. Era definitivamente onde ela queria estar. Numa ilha, dada de presente, onde ela pudesse ser sempre ela, sem ter medo de se misturar e se confundir com os outros. Quando chovia ela podia se banhar na chuva e purificar a alma, sem sentir frio. Naquela ilha só entravam convidados. E ela sempre que podia estava rodeada de gente. Mas era bom porque as visitas se divertiam mas sempre respeitavam sua hora de contemplar sozinha o rosa do céu e o avermelhado do mar ao entardecer. Era uma ilha que vivia na primavera de dia e no outono de noite. Sendo o lugar perfeito para ler e dormir. Lá ela descobriu o amor. E soube que amar não tinha nada a ver com sacrifício. Era brando e não fazia mal. Lá ela podia amar sem medo. E não se perdia em seus pensamentos. Aquele território era inspirador e ela sempre escrevia dali. E enviava no vento palavras bonitas para seus amados distantes. Na ilha de montanhas marrons, cor de chocolate, aquela moça era feliz. Tão feliz que dava inveja na gente.

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