Nos últimos dias andei re-lendo meus cadernos. Normalmente, na adolescencia, chamamos os cadernos pessoais de diários, o problema é que de diários, os meus, nunca tiveram nada. Eram mais semanários ou mensários, nos últimos tempos são semestrários. Mas, por motivo desta aventureira releitura, percebi que havia coisas interessantes sobre as quais refletir. E pensei, porque não, desta vez, mostrar para os amigos. Dedicarei meu tempo bloguistico a escrever coisas minhas e também de outros, que invejo por fazê-lo muito melhor do que eu (falo dos poetas!). Eu sei que esta história de blog é meio estranha, mexe com o ego e tal, mas como eu já assumi, há muito tempo, minha necessidade de aparecer (no momento que marquei Artes Cênicas no papelzinho), não me importarei muito com isso. Além do mais, isto aqui será, provavelmente, frequentado por Cecília, Imira, Geórgia, Bárbara e mais meia dúzia de queridos que tem paciência com as minhas insanidades escritas com letras trocadas! Assim sendo, dou início aos trabalhos. Para dizer bem a verdade, eu criei este blog hoje, por uma imensa necessidade de transcrever uma obra, maravilhosa, do igualmente maravilhoso, C.D.A. como costumo escrever em meus cadernos, ou mais comumente conhecido por Carlos Drummond de Andrade. É uma poesia singela, mas com a qual me identifico profundamente e que hoje, relendo um caderno, achei que seria lindo compartilhar com mais pessoas além das mil e tantas que habitam em mim. Deliciem-se!
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Um comentário:
Floooor!!!! Coxocoxoca!!!
Adoro essas suas insanidades...
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