Ela me disse que era a última vez. Me olhou nos olhos e disse: Essa é a última, não faço mais. Disse que não descontaria sua ansiedade na comida, e que não esperaria o telefone tocar. Disse que não seria displicente e nem grosseira. Nunca mais comeria 5 chocolates depois do almoço e não reclamaria da marcha dura do carro de seu pai. Ela me disse que não odiaria suas calças jeans, e o vizinho mal educado, que não se preocupa com o meio ambiente. Ela me disse que não sentiria mais pena de si mesma porque não consegue terminar seus livros. Me disse, sim, que olharia no espelho e não sentiria vontade de cortar o cabelo, só porque é a coisa mais fácil de mudar. Me disse que não se sabotaria comendo uma tonelada de pão de queijo, quando tudo estivesse indo bem e ela não tivesse do que reclamar de seus 68 kg. Ela me disse isso! Disse que estaria apenas feliz e chegaria pontualmente à aula de desenho. E não se vingaria de si mesma. Disse que não seria cruel com suas faltas de habilidades, mas que também não seria complacente com sua preguiça mental. Disse que não faltaria à academia e que era a última vez que compraria por impulso. Disse que iria melhorar de humor no transito, não correria muito e nem maldiria o motorista do carro da frente. Ela disse que iria ser forte e dar-se o devido valor, quando, finalmente, o telefone tocasse. Ela disse que não iria odiar estar sozinha. Ela garantiu que não abriria o tarô pela décimas vez na mesma semana. Ela disse que não julgaria, nem seria irônica ao dizer a verdade. Ela disse que abriria mão de fazer tantas coisas pelos outros e pouco por si mesma. Ela garantiu que não sentiria medo. Ela me disse. Olhando nos meus olhos disse que seria calma, sem forçar a barra para que as coisas acontecessem.
Ela disse! Disse igualzinho como todas as outras vezes. Mas dessa vez era diferente, disse que era realmente a última!
Ela disse! Disse igualzinho como todas as outras vezes. Mas dessa vez era diferente, disse que era realmente a última!
Nenhum comentário:
Postar um comentário