terça-feira, 17 de abril de 2018

sucumbindo

O ar entra pela boca e segue até a ponta dos dedos. são dez dedos, são vinte, os dedos dos pés tocam o tapete. macio. sente as fibras, não é um tapete felpudo, mas é macio, sente, é tipo algodão. os dedos deslizam e sentem o ar, e as godas do resto de chuva, sentem os olhos. brilhantes, douradas sobre o limões do limoeiro na janela. douradas. olho nos olhos e há reflexos. o ar entra pela boca que fala, fala, fala. chega até o estomago onde mora o frio na barriga. o coração pulsa e soa como um surdo de bateria só que bem baixinho. e as pontas dos dedos: vidro, prato, queijo, tato, morno, vidro, frio. é vinho e é de uva boa e é acolhedor, e a boca fala. o brasil, o mundo, o lula, eu, o privilégio, a cultura, a boca, o vinho, a morte, a vereadora, o fim - da democracia - um brinde à essa merda de vida boa. a dor. o ar entra pela boca e chega até os pés que tocam o tapete e dançam bem devagar. fazem círculos acarinhando o tapete, que não sente nada, é um tapete. a musica é leve, como é leve, observa. sente a música. a dor, a leveza. o filosofo, a representatividade, a contradição, o improvável, aqui que discordamos. vinho. o ar entra pela boca e sai pelos dedos. memória. os dedo tocam, a pele toca, com tato. quente. toca o som, toca o calor. é amoroso e quente. e toca o coração que bate como um surdo de bateria, agora mais rápido, e ainda baixinho, dentro do peito. toca o peito, a pele, o surdo. contato leve e suave e ardente e ébrio. é ébrio. é forte e leve. percebe? como pode ser forte e leve? como pode ser grave e macio? é punk, não, é rock. respira... um arrepio corre da ponta dos dedos aos dedos dos pés que já não toca o tapete. lençol. respira. o ar entra pela boca e sai pelos poros, úmidos. suavemente. a luz da rua é quente e pouca. a luz do poste ilumina seus cabelos e os meus, é pouca. é lindo. há gestos, há sons, há música. à pouca luz, há vida... apesar de tudo, há vida no país. a macro visão analítica de todas as coisas miúdas não importa agora é cheiro é gesto é som é tato é tato é tato vibra é tudo é ébrio é louco improvável indevido descabido irresponsável desmedido volátil febril cortante perigoso intenso escorregadio rijo forte perverso infinto e pronto.

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